quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Prêmio TOC 140 - Poesia no Twitter


Olá Pessoal!
Boas Notícias!


Saiu o resultado da primeira etapa do Prêmio TOC 140 de poesia no Twitter, promovido pela Festa Literária Internacional de Pernanbuco - Fliporto.


Estarei novamente na Antologia dos 100 melhores com o poema: MUDANÇA
Vivo agora o que não sei
Mudei
Desabei
Desconcertei
Sem alma
Nem calma
O que me tornei?

Veja abaixo a matéria divulgada no site oficial da Fliporto:

Antônio Campos, curador da Fliporto, a Coordenaçáo e a Comissão Julgadora do segundo TOC140 Poesia no Twitter têm a honra de apresentar o resultado do julgamento da primeira etapa do concurso, ao tempo que parabenizam todos os concorrentes pelos momentos de beleza que agora repartem com todos os amigos da Fliporto 2011 na Grande Teia. As inscrições continuam até o dia 10 de outubro e os não selecionados permanecem concorrendo. Aproveite e participem. Sejam bem-vindos!

TOC140 POESIA NO TWITTER
Comissão Julgadora: Antônio Campos, Delasnieve Daspet, Haidée Camelo
Coordenação: Cláudia Cordeiro
Monitoramento: Luanda Calado

1ª. ETAPA
RESULTADO
50 POEMAS SELECIONADOS PARA PUBLICAÇÃO NA ANTOLOGIA
OS CEM MELHORES DO 2º. TOC140 POESIA NO TWITTER 2011
DENTRE OS 50, 5 SELECIONADOS PARA A VOTAÇÃO ON LINE
QUE DEFINIRÁ OS VENCEDORES

2ª. ETAPA
INSCRIÇÕES ATÉ 10 DE OUTUBRO DE 2011
TODOS OS INSCRITOS,
NÃO SELECIONADOS NA PRIMEIRA ETAPA, CONTINUAM A CONCORRER.
SERÃO SELECIONADOS MAIS 50 PARA A ANTOLOGIA E, DENTRE ELES,
5 PARA A VOTAÇÃO ON LINE
QUE DEFINIRÁ OS VENCEDORES

Veja os 5 finalistas e mais os 50 poemas selecionados para a Antologia na primeira etapa no site da Fliporto Digital: http://www.fliporto.net/

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Menina do Pijama Lilás



Acordei com saudade do meu pijama lilás.
Lembrei do meu primeiro dia de aula, quando a mãe falou logo cedo:
- Levanta já dessa cama, tira o pijama que hoje é um dia importante!
Meu coração doeu, nem sei dizer se por medo ou já por saudade.
Dias depois, no início do inverno a mãe chamou como de costume:
- Tira logo esse pijama! Vai se atrasar novamente pra aula menina!
Saí de casa com uma tosse que não me deixava falar.
A mãe, que olhava da janela viu quando, tossindo sem parar, peguei o início da trilha que cortava caminho pelo terreno vizinho.
Estava no meio do caminho quando ouvi um grito salvador:
- Voltaaaa!
Voltei e a mãe falou:
- Volta pra cama, desse jeito não vai dar pra ir à escola, vou chamar o médico.
Ainda sem acreditar voltei ao quarto, vesti o meu pijama lilás que estava ainda quentinho.
A tosse até acalmou.
Depois o doutor falou que aquela tosse não me deixaria ir à escola por uns bons dias.
Dias em que fiquei com meu pijama lilás, mas que passaram muito rápido.
Então, sempre que eu voltava da escola, depois de almoçar, podia brincar com as vizinhas, nas ruas de terra vermelha daquele interior paulista.
Terra que inspirava meus dotes artísticos e culinários, pois às vezes eu ficava horas e horas no quintal de casa, esculpindo aquela terra e fazendo meus famosos bolinhos de lama.
Com panelas e pratinhos de plástico, o que fazia não eram apenas bolinhos, mas verdadeiras especialidades gastronômicas, decoradas com a mais delicada criatividade.
Tão atrativos que um dia meu irmão mais novo, não resistiu à tentação e mesmo sob meus protestos, os abocanhou como se fossem deliciosos brigadeiros.
E eu ainda briguei com ele, pois sempre que eu pensava ter preenchido uma bandeja, faltava um ou dois que ele pegara escondido.
A mãe descobriu e ficou tão brava!
E eu corri para o quarto, lavei as mãos e... vesti meu pijama lilás.
Parecia que dentro dele, a bronca da mãe ficava até mais fraquinha.
Um dia, depois da escola, a mãe pediu que eu tomasse banho e colocasse uma roupa nova, pois naquela tarde, eu faria minha primeira visita ao dentista.
- Pode até esperar lá no portão, enquanto eu termino de lavar a louça do almoço, mas não vá se sujar hein!- avisou em tom ameaçador.
Esperava no degrau do portão, quando minha vizinha Joelma apareceu com seu mais novo brinquedo, presente de seu pai caminhoneiro que chegara naquela noite.
- Viviiiii! Olha a bicicleta que ganhei, não é demais? Vamos dar uma voltinha?
- Não posso, vou ao dentista agora, com minha mãe - respondi indecisa.
- Só uma voltinha rápida no quarteirão, sua mãe nem vai notar que saiu. – insistiu a aventureira.
Subi na garupa daquela bicicleta tão pequena, que na verdade parecia ser de sua irmã caçula.
E a diabinha foi em direção a enorme ladeira de frente a minha casa, na maior velocidade, mesmo sob meus protestos:
- Devagaaaarrrr!
De repente, passamos por cima de uma grande pedra.
Por alguns segundos voei, ainda segurando o banco da bicicleta e gritando:
- Páraaaa!!
Foi em vão!
Saí ralando os joelhos pela terra vermelha até rasgar meu jeans novinho.
Voltei pra casa apavorada, correndo e contendo lágrimas de dor.
Entrei de mansinho, escondido da mãe, fui até o quarto, escondi a calça no fundo do guarda roupa, lavei os joelhos ralados na pia do banheiro e... vesti instintivamente meu pijama lilás.
Aí sim pude chorar baixinho.
Ah se eu pudesse ficar ali, com meu pijama lilás!
Mas logo a mãe chamou, tive que conter o choro, procurar outra roupa e ainda uma boa desculpa que explicasse aquela troca.
A mãe nem desconfiou, só encontrou o jeans meses depois, quando já nem servia mais.
Ufa! Desta vez escapei!
Até que dias depois, apareceu em minha cama um pijama invasor.
Maior, estampado, medonho.
A mãe disse:
- O lilás joguei fora, está muito velho, rasgado e pequeno, não serve mais! Você cresceu menina! Vista este aqui.
Meu coração doeu de novo e naquela noite dormi sem pijama.
E em todas as outras também.
Jamais permiti que ocupassem o lugar de meu velho mas tão amado pijama lilás.

Boa noite!
Virvinhas